TEMAS ILUSTRADOS

O·s · M·I·S·T·É·R·I·O·S · D·A · M·O·E·D·A ¹

Muito cedo, na história da humanidade, surgiu a necessidade de um instrumento monetário que servisse como intermediário nas trocas, como medida e reserva de valor. Segundo diferentes épocas e regiões esse instrumetno teve diversos suportes materiais: plumas, conchas, grãos de cacau, ouro ou prata. Suas funções também se diversificaram: a moeda permitiu contar, pagar e poupar, mas também expressar o preço dos bens e o valor dos serviços, além de saldas dívidas. Finalmente, terminou por traduzir o grau de confiança que se depositiva na organização social da comunidade.
Mas a moeda, se resolve alguns problemas, também cria outros. Gera seus próprios paradoxos. Instaura um espaço social homogêneo e coerente - o mercado - mas cria dentro desse espaço desigualdades, ou seja, uma hierarquia econômica. Definea riqueza e, de forma indissociável, a pobreza. Converte-se em atributo do poder, mas também num meio para impugná-lo. Estabelece as fronteiras de um território monetário, para abri-lo imediatamente aos mercados internacionais...
Vilipendiada pelos moralistas, rejeitada pelos utopistas, às vezes ignorada até pelos economistas, a moeda está, porém, onipresente em nossa realidade cotidiana. Ao facilitar o intercâmbio e liberar a economia, ela contribuiu para alguns decisivios avanços da civilização. Nosso propósito é expor algumas das grandes etapas que demarcaram seu passado, a fim de que se compreenda com maior clareza sua função no presente.

Direita: Os agiotas, de Marinus Van Reymerswael, pintor da escola holandesa (século XVI).

 

 

¹[Adaptado da revista O Correio da Unesco, Ano 18, nº 3, março de 1990, pp. 9-44]
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